sábado, 3 de setembro de 2016

FORA DE SATÃ (Bruno Dumont/2011)

Sinopse: Nas proximidades do Canal da Mancha francês, na costa de Opale, perto de uma aldeia com suas dunas e pântanos, vive um estranho homem que caça, reza e acende fogueiras. Uma moça que mora numa propriedade local toma conta dele e lhe dá de comer. Eles passam o tempo juntos no grande campo vasto de dunas e bosques, a se recolher misteriosamente à beira das lagoas, lá onde ronda o Demônio.

Andarilho sem-teto, de poucas palavras, distribui castigo e perdão divinos em meio aos terrenos verdejantes de uma costa francesa castigada pelo vento. O filme deve ter um sentido imediatamente claro para dois tipos de espectador: o próprio autor, Bruno Dumont, ou então o versado em alegorias cristãs. Quem não se enquadrar nessas categorias precisará refletir um bocado antes de arriscar uma interpretação sólida a respeito do que assistiu.

Dumont beira o radicalismo ao reduzir diálogos expositivos ao mínimo, tornar vaga a relação de causa-e-efeito dos "eventos" (aspas generosas), indulgenciar atos repetitivos dos personagens (fácil perder a conta de quantas vezes se ajoelham reverenciando a natureza) e reservar longos minutos a tomadas abertas de paisagens pastorais (nas quais nada acontece senão a locomoção de alguém de um ponto a outro na tela).

Munido de doses cavalares de paciência, dependendo de entender ou não a proposta do realizador, será possível qualificar tais características como afetação antipopulista típica do circuito alternativo europeu ou escolhas artísticas em sintonia com o material trabalhado.

2 comentários:

  1. Eu passo longe dos filmes de Bruno Dumont. Assisti apenas o pretensioso e totalmente vazio "29 Palms".

    Abraço

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  2. Vi 'O Pecado de Hadewijch' e achei muito bom. Quero ver o 'Camille Claudel' com Binoche.

    Cumps.

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