sábado, 13 de agosto de 2016

A FORÇA DO MAL (Abraham Polonsky/1948)

Sinopse: Representando o chefão do crime, um advogado trabalha para unificar o jogo do bicho em uma única organização. Para não usar violência, precisa acabar com os negócios de todos os pequenos bicheiros - entre eles seu irmão.

Apesar de ter enquadramentos e ângulos notáveis, bem como momentos inconfundíveis em que o jogo de luz e sombras dita a atmosfera, este noir se pauta menos pela exuberância estilística do que pela contundência da crítica à corrupção inerente a práticas de fusão, que acabam por lesar a coletividade em prol do ganho espúrio de uma minoria. Na superfície, a trama concerne estabelecimentos de jogo do bicho; a interpretação atenta descortina uma metáfora alusiva a bancos, corporações, cartéis, conglomerados. Não é coincidência o astro John Garfield e o roterista/diretor Polonsky terem caído na lista negra do surto anticomunista por suas convicções político-ideológicas anos depois.

Em suma, no que diz respeito à temática, o filme permanece relevante. Se há um ponto fraco, este talvez seja a caracterização demasiado tímida do interesse romântico do protagonista; por outro lado, a presença de Thomas Gomez no papel do irmão mais velho, a escalada da questão moral e o clímax tragicamente explosivo contrabalanceiam quaisquer objeções. [7/4/16] 

2 comentários:

  1. Este é um filme que está na minha lista para conferir.

    A perseguição anticomunista praticamente acabou com a carreira de Polonsky, que voltaria a dirigir apenas em 1969 o interessante "Willie Boy" com Robert Redford.

    Abraço

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    1. Acabou com a carreira de Polonsky e, segundo alguns, acabou com a vida de Garfield (que já tinha problemas cardíacos).

      Cumps.

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