quinta-feira, 21 de julho de 2016

A EMBRIAGUEZ DO SUCESSO (Alexander Mackendrick/1957)

Não há disparos de revólver, nem damas fatais neste filme, mas ele é noir. Há quem pense que o gênero (ou estilo, como preferem alguns) define-se pelo jogo de luz e sombras da fotografia. Ledo engano; do contrário, Chinatown, Amar Foi Minha Ruína e Corpos Ardentes jamais seriam catalogados de acordo. O 'negro' refere-se ao terreno moral pantanoso em que se situam os personagens e as tramas, onde viceja corrupção, criminalidade, degeneração e fatalismo.

Em A Embriaguez do Sucesso, uma das obras mais cínicas vindas de um estúdio americano dos anos 50, o tema nada palatável da ambição devoradora de integridade abarca a megalomania de quem usufrui de influência excessiva na mídia, a submissão voluntária a humilhações em busca da aprovação dos detentores do poder e obsessão incestuosa. Burt Lancaster personifica a autocracia tóxica. O jazz de Elmer Bernstein traz lembranças de O Homem do Braço de Ouro. Surpreende a chegada abrupta do desfecho, que sugere o destino da trajetória dos personagens principais sem fechar todas as portas. [Info    

Um comentário:

  1. Belíssima dica, meu caro. Não assisti A Embriaguez do Sucesso ainda, um noir que me falta. Você cita alguns aí excepcionais como Corpos Ardentes do Kasdan, simplesmente meu filme de cabeceira. O Noir é muito mais do que jogo de luz, certamente. Um cinema de pura ressonância...

    Abraço.

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