sexta-feira, 3 de junho de 2016

O FILHO DE SAUL (László Nemes/2015)

O diferencial deste drama do Holocausto é sua configuração formal. A câmera, exceto numa única cena, se limita à linha de visão do protagonista Saul. Acompanha-o o tempo inteiro, mantendo o rosto dele no centro do quadro formatado em 1.37:1 (ou seja, não widescreen), no mais das vezes o único elemento em foco. Claustrofobia e desorientação brotam dessa tática de filmagem, que também permite aos realizadores driblar o voyeurismo gráfico: o público sente a onipresença da violência genocida, relegada ao plano de fundo, embora apenas a vislumbre, deixando a imaginação preencher o restante do horror. A paisagem sonora, multifacetada e envolvente, compensa e complementa a fugacidade das imagens. O filme abre mão de beleza pictórica, sentimentalismo e qualquer noção de entretenimento. A psicologia de Saul resume-se ao alto custo que a posição de Sonderkommando no campo de concentração cobra da saúde mental. Nemes aponta o russo Vá e Veja como fonte de inspiração, mas a jornada de sobrevivência durante a "Solução final" na perspectiva de um indivíduo também lembra O Pianista, de Polanski. [Info

4 comentários:

  1. É outro filme que ainda não assisti, mas está na minha lista.

    Abraço

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    1. Recomendo não ver num dia de festa, porque a barra é pesada!

      Cumps.

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  2. Interessante o que diz sobre o formato de tela. Eis um filme que deixei passar, mas que em breve verei. Tenho predileção pela temática, embora triste e pesada. Meu primeiro contato foi com "A Lista de Schindler", do Spielberg. E creio que continua sendo insuperável. "O Pianista" é outra obra-prima. De László Nemes, infelizmente ainda não vi nada. Só li que este é o seu primeiro longa.

    Abraço.

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    1. Sim, é o primeiro longa, e ele já está preparando o segundo (que deverá ser filmado o ano que vem).

      Cumps.

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