quarta-feira, 29 de junho de 2016

O CLUBE (Pablo Larraín/2015)

No americano Spotlight, a questão do abuso sexual de menores por padres foi enfocado sob um ângulo indireto - a investigação jornalística de uma equipe do jornal Boston Globe das ocorrências nas paróquias de Boston. O filme ganhou o Oscar ao denunciar o acobertamento sistemático dos casos pela cúpula da Igreja Católica, que almejava preservar a própria imagem. O chileno O Clube chega à mesma conclusão via métodos radicalmente distintos. 

Se no longa de Tom McCarthy os perpetradores eram quase omitidos, aqui ganham protagonismo. Ao espectador incumbe passar uma hora e meia testemunhando as amoralidades, as hipocrisias, o cinismo e o egoísmo deles. Os planos dilatados, a fotografia difusa e esbranquiçada, a trilha minimalista e o andar pesaroso da narrativa perfazem uma experiência de excepcional capacidade de alienação. O discurso de Larraín é dogmaticamente estreito na pretensão de escancarar a humanidade imperfeita dos predadores de batina e a conivência da instituição que os protege; o efeito acaba sendo de distanciamento - quem estiver predisposto a se indignar talvez morda a isca; já quem exigir ser persuadido com argumentos artísticos correrá o risco de rejeitar o sensacionalismo entediante. [Info

4 comentários:

  1. Não sei porque pensava que este filme era Argentino...enfim, de qualquer forma, preciso conferir. Curioso saber que você o achou entediante e em comparação com Spotlight,que acho ótimo e que apesar de apresentar uma narrativa simples diferente dos filmes latinos dos últimos anos, é um sub-gênero que tenho predileção. É idêntico ao clássico "Todos Os Homens do Presidente", filme obrigatório.

    Ainda preciso adicionar na minha lista o também recomendado "No". De Larraín ainda não assisti nada!

    Abraço.

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    1. Considero o clássico de Pakula um dos grandes filmes de todos os tempos, mas não consigo nutrir entusiasmo algum seja por 'Spotlight', seja por 'O Clube'.

      Cumps.

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  2. O filme está na minha lista, o tema chama a atenção.

    De Larrain eu assisti "No" e gostei bastante.

    Abraço

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    1. Ainda não vi 'No'. Deveria ter visto antes deste, porque agora tenho pouca motivação para seguir na filmografia de Larraín.

      Cumps.

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