sexta-feira, 17 de junho de 2016

NINFOMANÍACA - VOLUME I (Lars Von Trier/2013)

Lars Von Trier! Pornografia! Ninfomania!

O que o enfant térrible nº1 da Dinamarca estaria preparando para chocar  o bom gosto dos críticos e pagantes conservadores? Natural alimentar a expectativa de se deparar com uma provocação travestida de cinema de arte, dados os ingredientes nada conspícuos desse coquetel. Qual não é a surpresa de perceber, antes mesmo de rolarem os créditos finais, que quem duvidou das intenções de Von Trier ao abordar a sexualidade feminina subestimou a seriedade dele.

Pois o filme constitui um generoso estudo de personagem cujo centro das atenções - Joe, de libido ativa desde a tenra idade - é uma mulher desencantada que julga a si mesma duramente, alheia ao fato de que  o estilo de vida libertino que adota por livre e espontânea vontade vai de encontro à tendência de acreditar que os atos que cometeu, além dos desejos que indulgenciou, dos quais diz não se arrepender, fazem dela uma pessoa ruim.

Mais próximo do estilo amadurecido de Melancolia e Anticristo do que da catarse de Dançando no Escuro e Ondas do Destino, decerto menos formalmente experimental do que Dogville ou Europa, Ninfomaníaca informa as desventuras sexual-existenciais de Joe com sofisticadas alusões a obras clássicas da Literatura, da Música e da Matemática, compondo um painel revelador, por vezes doloroso, de uma intimidade torturada. [Info

2 comentários:

  1. Eu gostei, mas é aquelas...ame o Lars ou odeie o Lars, rs!
    Muitos o acham verborrágico e se ofendem com as cenas de sexo explícito quando na verdade o sexo em si são apenas vinhetas de passagem nesse filme belíssimo e inteligente.
    Dai-lhe Lars! :)))

    Abraço

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    1. Sim, acho difícil encontrar pessoas que vejam o cinema de Lars com meios-termos. Bem, posso dizer que sou fã. Seu comentário sintetizou o meu.

      Cumps.

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