segunda-feira, 27 de junho de 2016

BEN-HUR (William Wyler/1959)

Monumental saga judeo-cristã que deixa predecessores afins comendo poeira - O Manto Sagrado e Os Dez Mandamentos, dois outros épicos religiosos dos anos 50, parecem simplistas em comparação, sobretudo no que diz respeito à maneira como o proselitismo da fé é imiscuído no roteiro.

Em vez de mostrar, por exemplo, um Victor Mature plantado em meio ao cenário, de olhar vidrado e expressão abobalhada, recitando platitudes para representar a elação do despertar de uma nova crença, o filme integra colateralmente a trajetória de Cristo e a propagação de seus ensinamentos à linha narrativa central dedicada ao príncipe Judah Ben-Hur da Judeia. Palavras de esperança e atos de misericórdia em nada lembram a oratória típica de igrejas - ao contrário, refletem e impactam os eventos da história, servem de contexto e fundamento, alcançando uma ressonância emocional positiva mesmo para quem tem pouca inclinação ao misticismo.

Os valores de produção, décadas antes das facilidades incorpóreas do CGI, levam o queixo ao chão - tentador indagar "como eles fizeram isso?" durante a antológica corrida de bigas. Seria perfeito não fossem a metragem maratonista e o estupor que se instala nos interlúdios românticos entre Ben-Hur e Esther. [Info

5 comentários:

  1. E só de pensar que terá uma nova produção de Ben-Hur...eu vi o trailer quando fui ao cinema recentemente. Como apagar um clássico dos clássicos? William Wyler realizou um filme que não precisa ser revisitado. Espero que um dia não tentem fazer o mesmo com Titanic ou E O Vento Levou...

    Eu gosto bastante de Os Dez Mandamentos e outras produções de De Mille. No páreo com esse. Tem um post que escrevi anos atrás:
    https://cinemarodrigo.blogspot.com.br/2013/03/os-dez-mandamentos.html#more

    Abraço.

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    1. O trailer do novo Ben-Hur deu a entender que será um filme de ação histriônico, indistinto e sem um pingo do primor do original. Vou assistir só se não tiver nada melhor a disposição.

      Cumps.

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  2. Minha opinião é a mesma de vocês. Refilmar um clássico absoluto como "Ben Hur" é brincadeira. Ainda não vi o trailer, mas apenas de saber que o diretor é o maluco Timur Bekmambetov, não para dá para esperar nada mais que cenas de ação exageradas.

    Apesar de longos, gosto destes clássicos da Era de Ouro de Hollywood.

    As cenas com multidões são fantásticas. Fica difícil até imaginar como foram organizadas.

    Abraço

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    1. Hoje em dia as multidões são todas computadorizadas. Acho que um dos últimos diretores a fazer isso com gente real foi Sir Richard Attenborough, em 'Gandhi'.

      Cumps.

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    2. Hugo, realmente o Timur Bekmambetov me deixa ainda mais preocupado com o resultado que certamente será irregular. Embora tenha o Morgan Freeman no elenco, mas me pareceu obviamente mais um filme pirotécnico numa velocidade que não nos permite pensar sobre ele.

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