sábado, 7 de maio de 2016

A BRUXA (Robert Eggers/2016)

spoiler! De feitio austero e ritmo vagaroso, o filme deslumbrou a crítica profissional, mas dividiu o público pagante. Faz sentido: o estreante Eggers evita o abuso de jump scares como pretexto para causar sobressaltos, move a câmera apenas em determinados momentos, permite que cada plano dure o quanto for necessário em busca do efeito almejado e fornece um linguajar puritano arcaico aos personagens imigrantes de sotaque carregado. Quem for paciente, disposto a experienciar algo fora das amarras populistas do circuito mainstream, ficará hipnotizado pela proficiência com que Eggers recria o microcosmo de um mundo antigo, imersivo, rico em texturas audiovisuais - os créditos finais mencionam a pesquisa fundamentada em documentos e no folclore da época (século XVII, em área rural do nordeste americano). Os acontecimentos escabrosos e o crescente clima de agouro têm efeito potencializado pela ambientação crível, remetendo a um híbrido de A Vila e A Fita Branca. Curioso notar que, embora rotulado de feminista, A Bruxa embala um conteúdo conservador, pois a religiosidade fervente e a histeria misógina ganham respaldo na trama. [Info

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