terça-feira, 19 de abril de 2016

SUPLÍCIO DE UMA ALMA (Fritz Lang/1956)

Diz a sinopse que "para revelar falhas no sistema penal americano, um escritor é convencido a ser incriminado por assassinato para depois provar sua inocência e sair da prisão." À primeira vista, soa inacreditável alguém se sujeitar a tamanho perigo para satisfazer as pretensões filosófico-políticas do patrão. O absurdo inerente à premissa colore negativamente as impressões do filme enquanto ele se desenrola, até o momento em que o roteiro esperto - embora dependente de incidentes demasiado oportunos e reviravoltas ora telegrafadas à distância, ora surpreendentes - traz credibilidade à motivação até então inconvincente do protagonista.

A cruzada bem-intencionada do chefe do jornal e seu futuro genro contra a irreversibilidade da pena de morte consiste numa obstrução do funcionamento da Justiça. Plantar evidências incriminadoras contra um inocente a fim de provar a falibilidade da acusação e da defesa em casos nos quais apenas elementos circunstanciais podem levar à condenação é uma estratégia falaciosa, por se tratar de indução ao erro. Inconsistências temáticas à parte, este thriller modesto merecia um elenco mais motivado a disfarçar o tédio perceptível nas suas performances. [Info

Um comentário:

  1. Assisti alguns filmes de Fritz Lang, mas este ainda não.

    Abraço

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