sábado, 9 de abril de 2016

O Criado. Joseph Losey, 1963. Produzida entre os anos 50 de Um Bonde Chamado Desejo (quando a autocensura cinematográfica ainda impedia uma abordagem franca da sexualidade) e os 70 de Laranja Mecânica (em que a permissividade já se estendia tanto à nudez quanto ao vocabulário), esta pérola birtânica preserva o melhor de ambos os mundos: os subentendidos e a honestidade temática. Não bastasse o viés resolutamente adulto da interação dos homens e das mulheres, o roteiro comporta uma radical afronta ao rígido sistema de classes da Inglaterra, invertendo papéis sociais e desequilibrando o fiel da balança no jogo de poderes travado pelo indivíduo que oferece sua força de trabalho e o que a toma. Quem presumir estar perante um object d'art antiquado será pego de surpresa com a descida ao inferno psicológico guiada por Losey, beirando o surreal - a porção final se encaixaria, confortável, em qualquer "drama de câmara" sessentista de Bergman. O embate simbiótico de Dirk Bogarde e James Fox é um deleite aos apreciadores de bons atores. [24/3/16] 

Um comentário:

  1. É um daqueles filmes sobre qual li algumas vezes no passado, mas nunca tive interesse em conferir.

    Abraço

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