quarta-feira, 13 de abril de 2016

EQUUS (Sidney Lumet/1977)

Ainda perturbador e ousado, passadas quatro décadas da estreia, Equus permite múltiplas leituras. Uma sugere que a loucura, por mais perigosa, consiste numa expressão de individualidade e paixão; tratá-la medicamente, "normalizá-la", portanto, equivaleria a uma tragédia. Outro ponto de vista concerne a figura do psiquiatra, que leva uma vida correta, respeitosa, estéril, vazia - e passa a invejar o fervor sexual-religioso do seu paciente adolescente. Neste caso, quem seria o doente de fato - o doutor emocionalmente anestesiado ou o interno que só atinge o êxtase na companhia do cavalo que adora como um deus? Há também quem enxergue nas entrelinhas uma alegoria sobre a homossexualidade.

Repleto de nudez frontal masculina e feminina a ponto de se tornar uma distração, estruturado via monólogos de verborragia teatral em tomadas ininterruptas, o filme, preocupado acima de tudo em comunicar pontos nodais temáticos em vez de impressionar com fogos de artifício cinematográficos, prova o valor de diretores versáteis do calibre de Lumet, que se adaptam às demandas do enredo ao invés de subjugá-lo a um estilo próprio. Richard Burton e Peter Firth monopolizaram as atenções da Academia, mas as coadjuvantes Joan Plowright e Eileen Atkins demandam idêntica admiração. [Info

Um comentário:

  1. Este filme sempre tem uma "aura" estranha, daqueles que criam um certo impacto e depois se tornam curiosidades cinematográficas.

    Ainda não assisti, sempre fiquei com um pé atrás por causa da trama, mesmo tendo o grande Lumet na direção.

    Abraço

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