quarta-feira, 27 de abril de 2016

CAVALEIRO DE COPAS (Terrence Malick/2016)

Temerário sugerir tratar-se do filme mais visualmente resplandecente das carreiras de Malick e Emmanuel Lubezki. Ambos têm a fama de mestres da beleza pictórica - o primeiro desde os anos 70; o segundo, a partir dos 90. Lançamentos tendem a nunca ganhar a dianteira em comparação a obras cuja reputação já foi sedimentada pela passagem do tempo.

Hesitações à parte, admito encontrar poucos paradigmas capazes de ombrear a configuração imersiva da estética de Cavaleiro de Copas, parente próximo do igualmente poético Amor Pleno. Malick, desde os segmentos estrelados por Sean Penn em Árvore da Vida, vem desenvolvendo uma inédita aptidão para imbuir paisagens urbanas de uma ressonância cósmica transcendental, tanto quanto as cenas-assinatura da Natureza. 

Em termos reducionistas, a essência desta "história" (as aspas são propositais; a narrativa abstraída beira o experimental) espelha a de A Doce Vida, de inclinação espiritual acentuada e senso de realismo reduzido. A diferença reside no fato de o bon vivant de alma perdida de Christian Bale estar ciente de sua existência anestesiada, estéril. Uma jornada de redespertar interior, em busca de si mesmo, de uma luz, de Deus. A filosofia cristã informa vocabulário e subtexto. Ao espectador de credos diversos resta o alívio de inexistir agressividade proselitista: há uma visão de mundo particular que merece consideração, embora nem sempre convença o espectador do moralismo antiquado a ela inerente. [Info

2 comentários:

  1. O cinema de Malick é extremamente original, seus filmes realmente não são indicados para o público comum.

    Abraço

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    1. O que comprova os parcos 500 mil dólares que o filme arrecadou nos cinemas americanos. Pena!

      Cumps.

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