quinta-feira, 31 de março de 2016

Ponte dos Espiões. Steven Spielberg, 2015. Modesto, o filme dá continuidade à tendência de Spielberg de colocar-se a serviço do enredo e do elenco, desinteressado em entregar um espetáculo técnico diretorial. Seu estilo mostra-se cada vez mais apurado, confiante - o que não se traduz numa involução rumo ao anonimato. A abertura livre de diálogos, por exemplo, na qual o espião soviético é perseguido por agentes do FBI, apresenta uma complexidade na movimentação de câmera, uma precisão coreográfica e uma fluidez na edição que somente um especialista na mecânica cinematográfica lograria sem deixar a impressão de esbanjar a própria maestria. No campo temático, estabelecendo uma ponte com Lincoln, a valorização da cláusula pétrea constitucional do devido processo legal. Poderia redundar numa tediosa aula cívica patriótica, porém a aptidão narrativa de Spielberg e a ineperada presença de humor (obrigado, irmãos Coen) evitam que Ponte dos Espiões caia nessas armadilhas. [22/3/16] 

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