terça-feira, 1 de março de 2016

Pensamentos Aleatórios Sobre o Oscar 2016


  • O fato de Alejandro González Iñárritu ter acumulado quatro Oscars em dois anos é excitante demais. Ame-o ou odeie-o, um mexicano fora do circuito comercial ter angariado tanto poder e prestígio em Hollywood só pode sinalizar mudanças positivas pela frente. Ame-os ou odeie-os, Birdman e O Regresso são obras idiossincráticas, ambiciosas e desafiadoras. Duas vezes consecutivas Melhor Direção, um estouro de bilheteria global com O Regresso. Nada mau para um estranho no ninho - e sobretudo para plateias ávidas por fugir do lugar-comum. A diversidade de pontos de vista por trás das câmeras ganha fôlego extra. O cinema autoral de alcance amplo não está morto.
  • Aplaudi Ennio Morricone em pé na sala de televisão de casa. Ele não viu. Pouco importa. Sei o quanto sua contribuição musical significa para minha cinefilia. O mestre de 87 anos já havia recebido uma estatueta honorária. Esta foi competitiva: grandiloquente e ao mesmo tempo ameaçadora, a trilha de Os Oito Odiados periga ser a mais memorável de 2015. O ponto alto da noite.
  • Nunca antes na história recente da premiação estatísticas históricas e premiações precursoras tiveram tão pouco poder de previsão das escolhas da Academia. Dessa constatação só emanam pontos positivos, dentre eles o aumento do fator suspense/surpresa para quem assiste à cerimônia e o ganho em credibilidade da AMPAS, provando ser capaz de tomar as próprias decisões sem abaixar a cabeça ao consenso. Spotlight sagrou-se Melhor Filme à revelia do Producers Guild, do Directors Guild, do Globo de Ouro e do BAFTA.
  • O show em si foi estruturado a fim de refletir a evolução da produção de um filme - começando pelo roteiro, passando pela feitura em si (as chamadas categorias técnicas) até chegar às atuações em frente às câmeras e ao produto final. Conceito informativo, tematicamente apropriado. Discursos tomaram menos tempo, assim como as gracinhas de rigor do emcee; a execução das três canções escolhidas para ir ao ar mantiveram o alto padrão do ano passado. Enfim, a equipe responsável pelo espetáculo deu a devida importância à coerência e ao ritmo.
  • Até que enfim um ator não chamado Daniel Day-Lewis ganhou o careca dourado sob a tutela de Steven Spielberg. Agora podemos enterrar o anódino argumento que detratores míopes adoram tirar da cartola, segundo o qual Spielberg deixa a desejar no quesito direção de atores? 

Um comentário:

  1. O prêmio para Ennio Morricone foi merecido e ainda bem que ele teve o prazer de vencer um Oscar, complementando o Oscar Honorário de 2007. Um verdadeiro gigante que fez trilhas sensacionais.

    As vitórias de Iñarritu são um prêmio também para os cinéfilos que gostam de originalidade. Seus trabalhos sempre fogem do lugar do comum.

    Abraço

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