domingo, 14 de fevereiro de 2016

A GAROTA DINAMARQUESA (Tom Hooper/2015)


Tom Hooper está se firmando como hábil investigador da capacidade humana de superação - não no sentido piegas ao qual o termo ficou associado após décadas de produções cuja única ambição era forçar lágrimas da plateia com histórias de feitos edificantes, e sim por meio de transformações íntimas, variando desde a gagueira do líder de uma nação em tempos de guerra, passando pelos conflitos de toda uma sociedade em meio a uma revolução histórica, até a decisão de uma mulher nascida num corpo masculino de harmonizar físico e mente. A Garota Dinamarquesa faz uma ponte entre O Discurso do Rei e Os Miseráveis, retendo (e sofisticando) a estrutura biográfica conservadora do primeiro e absorvendo um pouco do coquetel de emoções à flor da pele do segundo (em escala reduzida). 

As tomadas abertas levemente distorcidas, os ângulos descentralizados, a composição de imagens sempre evitando lugares-comuns impedem que a monotonia visual se instale, cativando desde as esplendorosas vistas iniciais das paisagens que inspiraram as pinturas de Lili Elbe (Eddie Redmayne). Há quem rejeite as opções idiossincráticas da colaboração entre o diretor e o fotógrafo Danny Cohen por ousar rearranjar a estética usual de produções de outro modo demasiado acadêmicas; para outros, esta se revelará a "isca de Oscar" mais bela dos últimos anos. 

Em sintonia com a temática, as qualidades do filme vão além da camada externa: apesar de retratado apressadamente, o despertar de Lili se mostra liberador e doloroso, apoiado pela esposa leal (Alicia Vikander). Cenas incômodas em que Redmayne e Vikander se desnudam - em sentido literal e figurativo, tanto na condição de casal quanto na de indivíduos - servem de argumento contrário a eventuais detratores ávidos por acusar Hooper de acanhamento. [Info

Um comentário:

  1. A sinopse não me chamou muito a atenção.

    Esta anotado, mas não sei se vou assistir.

    Abraço

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