domingo, 17 de janeiro de 2016

OS OITO ODIADOS (Quentin Tarantino/2015)


Qualquer temor de que Tarantino se repetiria ao emendar um faroeste após o outro é aos poucos dissipado no decorrer de rápidas duas horas e quarenta minutos. No lugar de um bang-bang cheio de ação e vistas de cartão postal, Os Oito Odiados pende para um chamber drama - ou melhor, chamber mystery - alicerçado no estudo de numerosos personagens. Mais próximo de Cães de Aluguel do que Django Livre em forma (cenário limitado, dinâmica de grupo) e espírito (desconfiança mútua, alianças forjadas ou desfeitas). 

Apesar da metragem extensa e da generosa ênfase ao diálogo (não se trata de uma objeção, pois estamos falando da icônica verve tarantinesca), o programa é tenso, por vezes hilário e até um bocado ultrajante: o politicamente correto leva uma descarada banana do autor, pisando fundo no pedal da violência, do abuso contra mulheres e dos epítetos racistas, condizentes à época (século XIX), ao local (Wyoming) e aos tipos retratados (homens da lei, membros de gangue, caçadores de recompensas, veteranos da Guerra Civil). 

Cada indivíduo a popular a trama faz jus ao termo empregado no título original para descrevê-los; ainda assim, face às deliciosas caracterizações do elenco eclético, chega a ser impossível não torcer por um ou por outro em determinados momentos. O destaque vai para a camaleônica Jennifer Jason Leigh, o envelhecido Kurt Russell (evocando John Wayne no modo de falar) e Tim Roth (num papel a la Christoph Waltz).

O estilo chamativo e brincalhão sinônimo de Tarantino está menos em evidência aqui se comparado a trabalhos prévios porque a natureza controlada da história o exige, mas seu intelecto permanece na potência máxima. [Info

2 comentários:

  1. Gostei bastante, Tarantino explora bem os elementos clássicos dos gênero, além dos ótimos diálogos principalmente.

    Considero apenas que o filme perde um pouco no excesso de sangue do terço final.

    Abraço

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  2. Grande filme (em vários aspectos). Tarantino segue mesmo com o pé no acelerador.

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