sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

OS GRITOS DO SILÊNCIO (Roland Joffé/1984)


Os horrores de um holocausto mais recente e menos conhecido, asiático e não europeu, em que a violência fatal de fuzilamentos sumários caminhou de mãos dadas com a lavagem cerebral do extremismo político-ideológico praticado pelo Khmer Vermelho contra os próprios conterrâneos. Há visões de puro pesadelo: pilhas de esqueletos, corpos mutilados sangrando, crianças chorando de desespero, feridos em agonia, torturas físicas e psicológicas, a perene tensão da incerteza do destino no instável Camboja.

O filme beiraria o insuportável caso se restringisse a documentar a morte. Pelo contrário, o roteiro adota o formato de uma extraordinária jornada de sobrevivência e amizade. De desenvolvimento rápido, sem maiores circunlóquios expositivos, apesar de um ou outro instante de grandiloquência emocional questionável, Gritos do Silêncio precedeu A Lista de Schindler ao mostrar que o trauma e a tristeza de uma tragédia causada pela desumanidade ganham um sentido aprofundado quando contextualizados em torno de uma história de esperança. [Info

2 comentários:

  1. Realmente é um filme doloroso, mas de grande qualidade.

    Tão triste quanto o filme é a história de vida do ator Haing S. Ngor, que passou por situação semelhante a de seu personagem e ainda acabou assassinado anos depois quando vivia nos Estados Unidos.

    Abraço

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    1. Sim, no livreto do Blu-ray contam a história dele. Lamentável.

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