sexta-feira, 2 de outubro de 2015

POESIA (Lee Chang-dong/2010)


Imagine desenvolver apetite pelo ato criativo de escrever poesias concomitantemente ao recebimento de um diagnóstico de Alzheimer. Quando a idosa Yang Mi-ja mais necessita da capacidade de escolher a palavra adequada, menos ela consegue trazê-la à mente. O enredo não se atém a essa tragédia particular, enveredando pelo relacionamento da protagonista com o neto indiferente que sustenta como um filho, o suicídio de uma estudante local por motivos que poderão bater na porta de sua casa, o trabalho de meio-período cuidando de um senhor vítima de derrame.

Nas mãos de um artista sem foco, as subtramas poderiam ter diluído a essência singela deste drama contemplativo e sereno; Lee Chang-dong aproveita cada aparente desvio da linha narrativa principal para enriquecer a construção de Yang Mi-ja, permitindo ao público vislumbrar o oceano de profundidade por trás do semblante sorridente e do comportamento progressivamente errático dela. O desfecho, bastante subjetivo e belo a ponto de causar desconcerto, faz completo jus ao título. [Info

2 comentários:

  1. Outra dica interessante, não conhecia este filme.

    Abraço

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  2. Não conhecia essa obra! Gostei da resenha, parece ser um ótimo filme!

    Abraço.

    André Betioli

    3quenaoda1.blogspot.com.br

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