domingo, 4 de outubro de 2015

PERDIDO EM MARTE (Ridley Scott/2015)


Ridley Scott tentou enveredar pelas raias da emotividade na aventura biográfica Tormenta. Não deu certo. Logrou fazê-lo com sucesso quase duas décadas depois, no gênero do qual é mestre: a ficção científica. 

O diretor tende a ganhar o rótulo pejorativo de "esteta" graças ao perfeccionismo plástico na construção de mundos que variam desde a Terra do Antigo Testamento até planetoides aliens. O termo peca pelo reducionismo. Uma das provas disso - ao lado das divagações filosóficas existenciais de Blade Runner, da mitificação da ancestralidade em Prometheus e do despertar da identidade étnico-espiritual em Êxodo - se encontra na bem-humorada ode à engenhosidade em prol do progresso e à capacidade de união em tempos de crise a informar o teor do roteiro deste Perdido em Marte

As espertas soluções científicas do astronauta perdido a fim de sobreviver sozinho no Planeta Vermelho, os impossíveis esforços logísticos de equipes da NASA em solo visando a auxiliá-lo a distância e a total ausência de hesitação da tripulação da espaçonave Hermes em agir por conta própria para resgatá-lo formam um panorama positivo da Humanidade, traduzido num entretenimento capaz de empolgar e emocionar sem apelar à destruição e à morte, pelo contrário, deixando o público esperançoso em relação a sua espécie após a sessão. [Info

2 comentários:

  1. Gosto do tom bem humorado que a história segue com seu protagonista, foi uma surpresa. Esperava uma ficção científica mais "sisuda" mas Ridley Scott deu um show e provou que ainda está vivo. Ele que foi o resgato de Marte

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