sexta-feira, 23 de outubro de 2015

HENRY - RETRATO DE UM ASSASSINO (John McNaughton/1990)


O ato de assistir a Retrato de um Assassino só fará sentido para quem entende que a arte pode ajudar a iluminar recantos sórdidos e distorcidos da existência humana. Aqueles subscritos à mentalidade de que o cinema deve exercer uma exclusiva função de entretenimento poderão a) extrair um prazer inapropriado do conteúdo amoral desta biografia inspirada nos relatos de um serial killer ou b) achar tudo entediante, despropositado e ofensivo.

A estética lo-fi em 16mm, a tela de aspecto quadrado, o áudio abafado e as locações urbanas nada glamourosas de cara põem em xeque as certezas reconfortantes emanadas de uma superprodução de estúdio: clichês, violência sanitizada, alívios cômicos pontuais, desfecho moralizante. O que sobra é uma proximidade perturbadora do cotidiano banal de pessoas às margens da sociedade, cuja mente funciona num comprimento de onda diferente do nosso.

Na ótica de Henry e seu comparsa Otis, a vida de terceiros não vale nada - exceto servir de bode expiatório para afastar as frustrações e o tédio. Os breves relances de fraqueza e incerteza em certas atitudes da dupla refletem a recusa de McNaughton em pintá-los como monstros caricaturais, indicando a seriedade das intenções do realizador. [Info

2 comentários:

  1. É um filme marcante, que na época foi muito elogiado pela crítica.

    Com exceção do curioso "Garotas Selvagens", o diretor John McNaughton não fez nada mais que mereça atenção.

    Abraço

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