quarta-feira, 21 de outubro de 2015

HAMLET (Laurence Olivier/1948)


Contraste entre luz e escuridão, cenários externos encobertos pela névoa noturna, câmera desenvolta a explorar os cantos do lúgubre castelo real. Sem exigir quatro maratonísticas horas e dispensando fidelidade integral, ao contrário da versão atualizada de Kenneth Branagh dos anos 90, esta produção inglesa honra o significado do termo adaptação, transpondo a peça teatral do Bardo para o dinamismo fundado em imagens e sons que impressionam, mantendo o poderio das densas palavras do autor.

Olivier poderia ter caído na armadilha do teatro filmado ao engessar os movimentos do elenco, limitar a variedade de enquadramentos, estender em demasia a duração dos planos e permitir a super-representação do elenco. Pelo contrário, provou-se um cineasta nato, casando a complexidade do texto-base e o espetáculo proporcionado pelas ferramentas da chamada Sétima Arte, legando cenas icônicas, dentre elas o encontro do príncipe dinamarquês com o vingativo espírito do seu pai assassinado.

A única nota falsa a destoar do brilhantismo do conjunto é a escalação da rainha Gertrude, parecendo mais jovem do que o próprio filho. [Info

Nenhum comentário:

Postar um comentário