domingo, 20 de setembro de 2015

VIOLÊNCIA GRATUITA (Michael Haneke/1997)

Haneke repreende o espectador que se diverte vendo filmes violentos, acusando-o de cumplicidade com a sanguinolência em voga na telona. Funny Games é uma tese cinematográfica cínica e, ao meu ver, presunçosa. O diretor parece incapaz de entender que consumir agressão falsa (em livros, games, séries etc.) como entretenimento não equivale à chancela moral de condutas semelhantes praticadas no mundo real. Chega a beirar o pedantismo associar agressões de fato ao ato de escapar diante de uma TV em programas nos quais ketchup voa pelos ares e dublês se fingem de mortos. Um bode expiatório apropriado para as preocupações de Haneke seria a fixação por noticiários sensacionalistas ou gravações de agonias verídicas obtidas por gente que prefere sacar do celular para apropriar-se da morte alheia ao invés de procurar auxílio. Desagradável, para dizer o mínimo, tanto por desígnio do autor quanto por razões por ele imprevistas. [Info

Um comentário:

  1. Eu vi o filme mais com uma crítica a violência verdadeira que assola o mundo, do que contra o espectador que gosta de filmes violentos.

    O cinema de Haneke sempre gera discussões, são filmes são no mínimo complexos e polêmicos.

    Ainda não assisti a versão americana que o próprio diretor comandou.

    Abraço

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