sexta-feira, 18 de setembro de 2015

NENETTE E BONI (Claire Denis/1996)

Irmãos jovens, pobres, órfãos de mãe, abandonados pelo pai criminoso. Ele eroticamente obcecado pela atendente da padaria, ela grávida e recém-fugida do reformatório. O reencontro, de intensa proximidade física, abalará o mundo precário de ambos, embora nem sempre para pior, neste filme empático e solar de Claire Denis - se comparado a futuros lançamentos da diretora como o oblíquo O Intruso ou o mórbido Bastardos; perto de dramas hollywoodianos, é pesado e carente de concessões populistas.

O toque característico de Denis se faz presente no método de narrar sua história, via desenvolvimento temporal elíptico dos acontecimentos e preferência em retratar estados psicológicos, ambientações e sentimentos represados a colocar palavras autoexplicativas nas bocas dos personagens. Sensorial e sensível, nunca piegas ou óbvio, exemplar de cinema-abstração em que as imagens vívidas da cinegrafista Agnès Godard e o acompanhamento musical não intrusivo dos Tindersticks encorajam a participação ativa do público no entendimento da obra. [Info

Um comentário:

  1. Não conheço o trabalho desta diretora.

    Valeu pela dica.

    Abraço

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