sexta-feira, 21 de agosto de 2015

AMOR (Michael Haneke/2012)


Hesitei por três anos antes de assistir. Conhecendo Haneke, receava que ele partiria meu coração - não com uma abordagem sentimentalista, mas sendo implacável, objetivo, quiçá cruel. Por outro lado, havia lido opiniões insinuando que Amor revelava uma faceta compassiva do austríaco, naquela que seria sua obra mais "acessível".

Ambas as perspectivas se mostraram corretas, embora a balança penda para a primeira. No lugar da idealização edulcorada da dedicação marital na velhice ou do encorajamento da perseverança fortalecedora de caráter na doença, Haneke expõe as lentes de sua câmera usualmente estacionária à não raro humilhante rotina de cuidados de um casal octogenário cuja contraparte feminina (Emmanuelle Riva) se vê afligida por derrames incapacitantes.

Em meio à dor emocional, à decadência física e à proximidade da morte, vislumbra-se detalhes da personalidade dele (Jean-Louis Trintignant) e dela, do seu longo histórico de companheirismo, do significado do respeito e amor verdadeiros que nutrem um pelo outro - lembrando que nem tudo são flores na ótica do autor, que faz questão de sujeitar o público a complexidades mundanas, porém desagradáveis, inclusive no campo moral. A penúltima cena agrega um toque poético a este vencedor do Oscar. [Info      

2 comentários:

  1. É um filmaço.

    Triste, doloroso, cruel em alguns momentos e realista.

    As atuações do casal principal são fantásticas.

    Abraço

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  2. poucos conseguem ser tão implacáveis como Haneke. o filme é ótimo, mas é daquelas que dificilmente assistimos mais de uma vez.

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