quinta-feira, 30 de julho de 2015

ALMAS EM CHAMAS (Henry King/1949)


Primeiramente, um alerta: apesar do que o pôster dá a entender, o filme tem ação esparsa, no máximo duas cenas de batalha aérea, montadas a partir de inserções documentais da época.

Bastante dialogado, quase por completo restrito a escritórios apertados e barracas militares, sua preocupação temática - atípica para o final dos anos 40 - gravita em torno dos efeitos psicológicos da tensão e violência extraordinárias do conflito na mente dos combatentes que integram esquadrilhas americanas incumbidas de bombardear instalações alemãs na II Guerra Mundial. Somando-se à preocupação relativa à saúde mental, o questionamento sobre como um líder de hierarquia superior deve lidar com a situação - testando os limites dos subordinados em crise ou sendo sensível aos problemas deles?

O roteiro evita o ufanismo e a glorificação simplista dos "heróis" do Tio Sam: o tom da abordagem se aproxima do revisionista, escancarando as fragilidades dos indivíduos colocados sob uma pressão constante que poucos poderiam tolerar sem perder a sanidade. Sobriedade define o estilo concentrado da direção que, se descuidada, correria o risco de resvalar no teatral, conforme evidenciam o seleto uso das melodias de Alfred Newman, a encenação focada na coreografia espacial de homens andando, conversando ou se organizando, a disciplina no manejo da câmera e os vários instantes de chiaroscuro na iluminação.

Grande atuação de Peck, que deixa entrever vulnerabilidade e genuína preocupação por trás da autoridade severa. [Info

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