sexta-feira, 15 de maio de 2015

PARA SEMPRE ALICE (Richard Glatzer, Wash Westmoreland/2014)

Espero não ser mal interpretado, acusado de insensibilidade - um pecado capital ao comentar este filme que preza pela sensibilidade -, mas acho apropriado catalogá-lo como um drama de horror. Pois apesar de realizado com o que alguns denominariam pejorativamente de "bom gosto" e "discrição", evitando o sensacionalismo, Para Sempre Alice oferece uma franca descrição do cotidiano de perdas de uma vítima precoce de Alzheimer, tolhida aos poucos da própria identidade, do domínio da comunicação, da retenção das memórias, tornando-se, enfim, estranha a si mesma, alienada do mundo ao redor. 

Bate uma agonia no peito testemunhar o semblante vivaz e inteligente de Julianne Moore sofrendo os efeitos irreversíveis do devastador apagador mental que acomete o cérebro da sua personagem, uma estudiosa da linguagem. Ao contrário do (ótimo) sul-coreano Poesia, de temática afim, o roteiro afunila o enredo numa linha narrativa única, dispensando digressões, mantendo o devido espaço para o registro do impacto da situação em cada membro da família da protagonista. A câmera, modesta, mostra-se generosa para com o elenco. O foco, aqui, é o humano. [Info] ★★★★

2 comentários:

  1. Está na minha lista para conferir.

    Abraço

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  2. tenho uma certa preguiça deste filme, apesar dos ótimos comentários em relação a atuação da julianne moore, atriz de que gosto bastante. teu texto me deixou um pouco mais empolgado, mas me deixou ainda mais empolgado para rever o ótimo Poesia.

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