sábado, 25 de abril de 2015

UPSTREAM COLOR (Shane Carruth/2013)

Enigmas cinematográficos estimulam os neurônios, durante e após a sessão. Cineastas que se expressam por uma via oblíqua desafiam o público a não se manter passivo, convidando-o a interpretar o material. Normal haver momentos de dúvida. A compreensão total, de pronto, tampouco merece sobrevalorização. Há quem ache que um filme é um fim em si mesmo, hermético, limitado ao utilitarismo de entreter ou transmitir uma mensagem clara, sempre reconfortante. Penso que deve haver liberdade para a proposta de variadas formas de narrativa voltadas à livre associação e ao sentido figurado, ao subentendido e, por que não, o ilógico (Buñuel que o diga). Aprecio quebra-cabeças sedutores, como os de Lynch. Carruth tende a manejar a câmera com displicência e fraturar demais a duração dos planos, dificultando a imersão neste amálgama de thriller minimalista, FC cerebral e romance trágico que parece contrapor autonomia e subjugação. [Info] ★★★

5 comentários:

  1. Tái um filme extremamente desafiador, não é todo mundo que consegue encarar.

    Eu gostei mais de Primer, mas esse também vale a pena.

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    1. Ainda estou criando coragem para encarar Primer, dizem que é ainda mais complexo do que esse.

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  2. Realmente "Primer" é um dos filmes mais complexos da história da cinema e por si só fascinante.

    Não faria comparação com os trabalhos de David Lynch, que considero mais malucos do que complexos.

    Ainda não assisti este último filme de Carruth.

    Abraço

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    1. O que ambos têm em comum é o desenvolver da chamada "trama" com muita retenção de informações. Mas de fato Lynch é mais onírico do que Carruth.

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  3. Gustavo se expressou de forma tão precisa, que ficou intrigado demais com o filme.

    Movies Eldridge
    http://movieseldridge.blogspot.com.br/

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