sexta-feira, 3 de abril de 2015

O ANO MAIS VIOLENTO (J.C. Chandor/2014)


Repleto de silêncios prenhes de significado, capturados por câmeras estáticas e distanciadas, movendo-se a passos lentos, o filme acompanha a história de um hipócrita, ou na melhor das hipóteses, de um tolo. 

Abel Morales adora declamar palavras virtuosas em tom professoral sobre ética, moralidade (qualquer semelhança com o sobrenome não é mera coincidência) e motivação quando assessora a meteórica subida na carreira de comerciante de combustíveis. Enquanto prega o determinismo individualista, certo de que chegou lá pela perseverança limpa e o esforço de ninguém mais, dando a entender que tem o direito de conquistar o mundo, o espectador perceberá a ironia, já que ele - um sujeito recalcitrante, de temperamento ameno porém orgulhoso - só goza dos presentes trunfos graças a traições e práticas dúbias de quem o assessora. O mistério está em saber se Morales de fato acredita na decência de caráter que alega possuir ou se faz dela um escudo para aliviar a consciência e o diferenciar de colegas de profissão que considera gângsteres desonestos. 

Um ou outro crítico entusiasmado comparou este terceiro trabalho de Chandor com Sidney Lumet, mestre dos thrillers novaiorquinos. Onde o falecido veterano imbuía a trama de urgência e personagens de convicções apaixonadas, o novato ainda em curva ascendente opta pela contenção elegante, forçosamente modesta, típica de produtos do circuito exibidor alternativo que tentam imitar filmes de arte europeus. [Info] ★★★

2 comentários:

  1. Estou curioso em conferir este filme e também ver como sei saiu desta vez o diretor J. C. Chandor.

    Gostei muito de "Margin Call" e achei "Até o Fim" extremamente chato.

    Abraço

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