segunda-feira, 27 de abril de 2015

MALÉVOLA (Robert Stromberg/2014)


Um sopro de ar fresco as propostas de inovação do roteiro, aplicadas ao conto clássico. Estão fora a ênfase no vitimismo da Bela Adormecida e o posicionamento do príncipe encantado como salvador da pátria, tornando o terreno propício para inserções espertas de empoderamento feminino - decisão condizente com a atual política de gêneros e, sobretudo, necessária numa Hollywood de histórico sexista. 

A dita "vilã" continua sendo uma mulher, mas tachá-la de malvada beira o simplismo: a personagem comete atos duvidosos, embora também sofra na pele injustiças e traições. É capaz de ter a grandeza de enxergar e admitir seus erros, superar o rancor justificável e mudar o caminho vingativo que traçara para si.

Os principais atos de altruísmo, de benevolência, partem delas nesta reimaginação da Disney - o que não implica em relegar os personagens masculinos à mera figuração unidimensional de mau-caratismo, conforme provam o leal corvo e o tal príncipe, em participação de importância secundária, suficiente para percebermos sua pureza de caráter. 

O filme surpreende positivamente por esse rearranjo estratégico de convenções antiquadas, ofuscando, pasmem, até a quantidade absurda de efeitos computadorizados, que impressionam menos do que o esperado por conta do breu a dominar a fotografia e a cenografia. [Info] ★★★

3 comentários:

  1. Estas novas produções que adaptam contos de fadas para os adultos não me chamam a atenção.

    Ainda não tive vontade de conferir filme algum com este estilo.

    Abraço

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    1. Também não sou muito chegado. Não vi Cinderella nem a Branca de Neve com K-Stew.

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  2. "Malévola" vale a tentativa, pode te surpreender, Hugo.

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