quarta-feira, 1 de abril de 2015

LIVRE (Jean-Marc Vallée/2014)


Aventura existencial sobre uma dura lição: a pessoa tem o caráter formado pela soma de todas as experiências vividas, não só as boas e edificantes, que trazem memórias agradáveis, mas também os erros que pesam na consciência, as faltas injustamente cometidas contra terceiros, as autossabotagens. Quem pudesse retornar no tempo almejando desfazer cada pisada na bola não conseguiria nada além de podar o próprio amadurecimento. Seguir adiante, imperfeições pretéritas e culpa nas costas pavimentando o caminho, é ingrediente indispensável na receita para a evolução pessoal. 

Repetindo a objetividade e a sutileza de estilo presentes em Clube de Compras Dallas, a narrativa ágil intercalando o presente com fragmentos de memórias da protagonista, o foco da câmera travado em Reese Witherspoon, o canadense Vallée se distancia de outro cultuado road movie a pé, Na Natureza Selvagem. O longa de Sean Penn abordava o estranhamento de um garoto dos valores da sociedade burguesa à qual pertencia desde o berço, partindo para o Alasca em busca da essência das coisas que achava possível obter sozinho, na companhia do nada. Aqui, Cheryl Strayed se embrenha pelo deserto em fuga não dos outros ou do vulgo "sistema", mas das cruzes que carrega dentro de si, relativas ao desprezo com que tratava a mãe falecida e às inúmeras traições sexuais impostas ao marido - um desafio de expiação via exílio voluntário, exorcizando pecados pelos quais ela não conseguia se perdoar. 

Repleto de momentos bonitos e inspiradores, embora tristes, Livre exemplifica o cinema comercial norte-americano voltado ao humano. [Info] ★★★★

2 comentários:

  1. Eu sinceramente gostei muito muito mesmo, a edição frenética, Reese nos entrega o seu melhor desempenho EVER, agora aquela indicação da Laura Dern? WTF?

    Movies Eldridge
    movieseldridge.blogspot.com.br

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