terça-feira, 7 de abril de 2015

GRANDES OLHOS (Tim Burton/2014)


Primeiro filme de Tim Burton a tratar de violência, apesar de se enquadrar multifacetadamente nos gêneros comédia, drama, biografia. Esclarecendo: a violência é psicológica e social, não física. Margaret Keane tem de enfrentar a condescendência de uma sociedade machista, hostil a mães solteiras com aspirações artísticas. 

Submeter-se à guarda e ao renome de outro homem era a única saída para Margaret ante a possibilidade de perder a guarda da filha pequena e a sustentabilidade financeira. Ao fugir de um primeiro marido sufocante, a pintora caiu nas garras de um farsante que lhe tomou a autoria das suas criações sobre acrílico e a dignidade da honestidade própria.

Alguém poderia criticá-la pela relutância em desafiar o companheiro (capaz de manter a pose de conquistador suave num momento e virar um bully em seguida) ou tachar o papel de retrógrado pela falta de assertividade em tempos de feminismo militante, mas a essa interpretação falta o reconhecimento de que, naquele contexto histórico, décadas de 50 e 60, a autonomia feminina engatinhava. A submissão encontrava respaldo nas convenções familiares, comerciais e religiosas. 

Abandonando a tonelada de CGI na qual diluiu seu toque pessoal nos últimos anos, Burton retorna básico: o colorido expressivo da fotografia, a ambientação formada por cenários concretos no lugar de telas verdes, o cabo-de-força entre esposo/agente/carrasco e esposa/protegida/vítima. Entretenimento leve, alheio à pretensão de inovar, porém de temática relevante, prejudicado apenas pelo excesso deslocado de humor (agravado pelo destempero de Christoph Waltz) durante o que deveria ter sido um clímax triunfante para Keane. [Info] ★★★

2 comentários:

  1. Péssimo assim como tudo que Tim Burton dirige, sem mais.

    Movies Eldridge.
    http://movieseldridge.blogspot.com.br/

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