segunda-feira, 13 de abril de 2015

A NAVE DA REVOLTA (Edward Dmytryk/1954)


Dedicado à Marinha americana, preocupado com sua boa imagem (como prova o letreiro inicial ressalvando jamais ter havido um motim no histórico da corporação), o filme é uma ode à tripulação dos navios de batalha, um apelo à manutenção da ordem hierárquica por meio do apoio moral ao capitão. 

Afogado na música ufanista de Max Steiner, chega ao ponto de culpar moralmente os subordinados pelo imbróglio, censurando a falta de apreço, encorajamento e confiança deles no capitão, dirimindo a evidente covardia e o desequilíbrio mental deste. 

Para piorar, o enredo traça o amadurecimento profissional, romântico e pessoal do jovem oficial recém-saído da faculdade, filhinho de mamãe que mal chega ao sucateado Caine e já torce o nariz à indolência com que a embarcação é mantida, exalando a empáfia ingênua dos novatos amantes de regras estritas em detrimento da bagagem prática dos colegas veteranos. 

O problema: o ator que o interpreta, mecânico e inexpressivo, não dá conta de exprimir as transformações exigidas pelo papel, percebidas somente por conta do desenrolar dos eventos, causando perplexidade em quem assiste. O fato de dividir espaço com gente do calibre de Humphrey Bogart, José Ferrer, Fred McMurray e Van Johnson só agrava a credibilidade dramática deste clássico que, apesar das fragilidades pertinentes ao propagandismo temático e à péssima escalação de um dos protagonistas, consegue manter o interesse, em especial depois que Bogart entra em cena e durante o julgamento. [Info] ★★★

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