quinta-feira, 12 de março de 2015

ROLLERBALL - OS GLADIADORES DO FUTURO (Norman Jewison/1975)


Em tempos de Jogos Vorazes, nada como descobrir uma de suas ancestrais, por sua vez inspirada nas verdadeiras páginas da História. Na Roma antiga, o pão e circo (leia-se: batalhas de gladiadores em arenas) entretia a plebe ignara, distraindo-a da concentração de privilégios na mão de ferro dos governantes. Pois a Literatura e o Cinema fantásticos transplantaram inúmeras vezes esse mecanismo de controle social para o contexto de distopias fascistas. 

No futuro corporativista de Rollerball, o violento esporte-título exerce a função de desencorajar o individualismo na população subjugada, mantendo-a alienada. Jewison emprestou a estética de Laranja Mecânica - perceptível já na abertura, com zooms-in, planos estáticos e música clássica - para imergir o público no seu faz-de-conta, aproveitando-se de tomadas de monumentos arquitetônicos vanguardistas (há uma aparição piscou-perdeu do Palácio da Alvorada em Brasília) e do desenho de produção deselegante, de cores enjoativas do multioscarizado John Box, cuja especialidade era reproduzir cenários históricos para os épicos de David Lean. 

A adrenalina nas partidas do jogo e o mistério por trás da súbita perseguição dos engravatados do alto escalão ao protagonista suplantam o obrigatório "drama humano" envolvendo o sumiço da sua mulher. O texto não fornece palavras interessantes ao elenco, o que é agravado pela atuação de baixa energia e dicção preguiçosa de James Caan no papel de ídolo da torcida. Os coadjuvantes apagados tampouco despertam interesse. Uma curiosidade antiquada da ficção científica setentista, mantida relevante pela alegoria anticonformista e a moral de precaução antitotalitária, que, espera-se, nunca saiam de moda. [Info] ★★★

5 comentários:

  1. Legal a postagem. Mesmo com os defeitos estéticos e de narrativa dos filmes de ficção dos anos setenta, gosto deste trabalho de Norma Jewison.

    A partidas de Rollerball são cheias de adrenalina e o roteiro interessante ao mostrar as manipulações de quem poder.

    Se não assistiu ainda, fuja da péssima refilmagem de John McTiernan.

    Abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não vi a refilmagem. Mas até tenho interesse em ver para descobrir se é tão desastrosa assim, mesmo, rs. Tem nota 2.9 no IMDb, putz...

      Excluir
  2. Tenho uma vaga lembrança de ter assistido esse filme na TV quando criança...muito vaga! Lembro mais da propaganda da Globo anunciando os filmes que seriam chamariz ao longo do ano e ele estava no meio do bolo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois eu vi o filme no mês passado somente, depois de encontrar o DVD baratinho no supermercado por R$9,90.

      Excluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir