quinta-feira, 5 de março de 2015

CONFISSÕES (Tetsuya Nakashima/2010)


No Brasil, volta e meia algum assassinato brutal cometido por menor de idade choca a população, encorajando parte dela a clamar pela redução da maioridade penal, achando que assim dará um basta na suposta impunidade garantida pelo ECA. Confissões, oriundo do Japão, país dito de primeiro mundo, intrigará quem estiver ciente dessa problemática. 

Trata de criminalidade juvenil, da sensação de impotência de familiares das vítimas perante a legislação que superprotege crianças ao isentá-las de responsabilidade por atos danosos, de bullying escolar, da falácia autodestrutiva da justiça a mão própria, do simplismo redutivo típico do psicologismo barato usado para justificar condutas desviantes - na melhor cena do filme, uma garota defende o colega baderneiro argumentando que ele só precisa de atenção e do carinho da mãe ausente, recebendo como resposta uma sonora e amarga gargalhada da interlocutora, cuja filha foi morta por ele. 

O excesso de câmera lenta e a onipresença de canções em inglês destoam da gravidade (e tristeza) do conjunto, mas não tiram o impacto do final explosivo. [Info] ★★★

Um comentário: