terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

VIDAS SEPARADAS (Delbert Mann/1958)


Este clássico menor impõe um desafio interessante ao comentarista: determinar se ficou datado pelo teor hoje nada escandaloso dos segredos e neuroses dos personagens ou ainda tem valor por retratar uma época pretérita em que anseios sexuais e condutas sociais eram diferentes. 

Conceitualmente adota a linha inaugurada por Grande Hotel nos anos 30 (repetida em 1954 com Um Fio de Esperança, 1965 A Nau dos Insensatos, 1970 Aeroporto etc.): uma variedade de indivíduos concentrada num único local, interagindo entre si, catalisando dramas íntimos represados, forçando à tona revelações, estabelecendo ou desfazendo alianças. 

Premissas moldadas nessa fórmula buscam montar um estudo de caso de aspirações universais, em escala microcósmica. Às vezes o resultado convence - vide Grande Hotel. Em outros casos, a exposição de problemas humanos soa forçada, deixando a impressão de que roteiristas inventam tipos estereotipados, colidindo-os numa conveniente ambientação fechada - autores de cinema de mentalidade mais afeita a cientistas manipulando cobaias num laboratório. 

Vidas Separadas ocupa um meio-termo entre os polos, dignificado pelo elenco invejável, mas ainda assim um passo trás do cineasta recém-saído da singela obra-prima Marty. [Info] ★★★

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