quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

VIVER (Akira Kurosawa/1952)

Passar os anos desmotivado, desapaixonado, equivale a já estar morto. É jogar fora um tempo finito. O fato de Watanabe-san ganhar sustento como burocrata mostra a percepção dos roteiristas, refletindo o estado de espírito do protagonista, apelidado nada carinhosamente de “a múmia” por uma subalterna.

O despertar tardio do apático ancião ocorre após um diagnóstico médico fatídico. Tenta se reconectar ao filho egoísta; torra dinheiro em diversões frívolas da noite. Em vão. Por incrível que pareça, a chama interior será acesa no trabalho. Pela primeira vez em décadas, o sr. Watanabe descobre algo que lhe toca o coração. Partirá satisfação por ter sido feliz no período pós-diagnóstico?

Precursor de Morangos Silvestres, Ikiru não fala de doença, nem morte. Kurosawa filosofa sobre o sentido de viver. [Info] ★★★★

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