sábado, 13 de dezembro de 2014

UM DIA DE CÃO (Sidney Lumet/1975)


O primeiro impulso depois de assistir é pesquisar a sociedade americana da época. A caracterização regionalizada de nova-iorquinos transmite vivacidade a ponto de sugerir que o roteirista capturou o zeitgeist naquela área da metrópole. Vide o apoio moral do povo ao assaltante Sonny (Al Pacino): havia alguma crise econômica em 1975 que justificasse a aceitação de criminosos, a hostilidade ao banco e a antipatia à polícia?

Sente-se um choque de atualidade ao constatar que há quatro décadas artistas perspicazes já haviam detectado a midiatização de escândalos nonsense, encorajando a glorificação pública de atos de violência retransmitidos sob a forma de entretenimento televisivo.

Cabe, ainda, indagar se foi coincidência o encolhimento da torcida por Sonny a partir da revelação da sua bissexualidade ou se o fato deveria ser creditado ao caráter volátil da opinião das massas. Qual a relevância de um detalhe do histórico dos personagens – tanto o protagonista quanto o comparsa (John Cazale) lutaram no Vietnã.

Um Dia de Cão eletriza e faz rir de nervoso pela verossimilhança da ampla gama de observações socioeconômicas e culturais, permanecendo relevante para espectadores de todo o globo. [Info] ★★★★★

2 comentários:

  1. Antes de ótimo "Um Dia de Cão", o cinema chegou a explorar o sensacionalismo da mídia impressa, vide "A Montanha dos Sete Abutres" e vários filmes B policiais.

    Aqui o grande Sidney Lumet já vislumbrava a força da tv em explorar as tragédias, pensamento que fica mais evidente ainda no posterior "Rede de Intrigas".

    Abraço

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