quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

TRAPAÇA (David O. Russell/2013)


Há quem chame Trapaça de ‘drama policial’. O diretor reserva espaço para conflitos, pois os protagonistas têm de lidar com problemas de identidade, traição (amorosa, profissional) e a perspectiva de um futuro onde o sol nascerá quadrado. Apesar disso, o tom predominante é faceiro, despretensioso. Apropriada a abordagem: o filme trata, no âmago, de aparência e falsidade. Comparações um bocado exageradas com o pique de Scorsese e do P.T. Anderson pré-Embriagado de Amor foram ensaiadas. Via de dúvida, encaixaria confortavelmente no rol das comédias dramáticas.

O enredo rocambolesco, cheio de tramoias, incluindo uma reviravolta hilariante no terceiro ato, fica em segundo plano de propósito, dando primazia à caracterização dos numerosos personagens. A verdadeira fonte de entretenimento e valor artístico reside no modo como cada intérprete sopra vida no seu alter ego ficcional. Christian Bale, Jennifer Lawrence, Amy Adams, Louis C.K., Jeremy Renner e Cooper fizeram jus a qualquer premiação recebida. Críticos volta e meia qualificam certas obras como sendo ‘de atores’, menosprezando a contribuição do diretor e roteirista, mas o termo, embora clichê, cai feito uma luva em Trapaça. [Info] ★★★★

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