quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

TORMENTA (Ridley Scott/1996)


Filme de ineditismos duvidosos para Ridley Scott, corpo estranho numa filmografia que corteja o cerebral (Blade Runner), o sugestivo (Alien, Prometheus) e o explícito (Hannibal, Falcão Negro em Perigo). Nem sequer Até o Limite da Honra – fundo do poço do diretor – demonstra tanta preocupação com discursos edificantes.

Temas Grandiosos® transbordam da tela: amadurecimento da juventude indisciplinada, despertar da responsabilidade, superação de traumas familiares, humanização de um líder estoico. Material costumeiramente destinado a apaniguados dos irmãos Weinstein, como Lasse Hallström – outro europeu radicado em Hollywood que, no entanto, demonstra temperamento apropriado para esta sorte de dramalhão.

O forte de Scott jaz em narrativas dinâmicas, secas, impactantes, onde o sentido brota de simbolismos inerentes ao universo de cada obra, conforme provam o supracitado trio de ficções científicas. Aqui, ele se vê forçado pela transparência do texto a telegrafar conflitos previsíveis e enfatizar um sentimentalismo “nobre”.

A gota d’água a sabotar a eficácia é a escalação de Scott Wolf. Protótipo-light de Tom Cruise, 29 primaveras nas costas (interpretando um pré-universitário), o ator opta pela caracterização inverossímil do menino com alma de velho, apto a detectar problemas insuspeitos e pressentir dilemas não verbalizados pelos coadjuvantes à sua volta. Constrangedora a seriedade do seu monólogo catártico perante um tribunal militar.

Apesar das objeções, Tormenta oferece partes isoladas superiores ao todo. O temporal aludido no título original convida o queixo a encontrar o chão; uma sequência de exploração numa ilhota verdejante cativa pela beleza da fotografia; os constantes puxões de orelhas à tripulação adolescente do capitão encarnado por Jeff Bridges promove instantes em que a tensão e a hilaridade convergem. [Info] ★★

Um comentário:

  1. Realmente na mão de um Lasse Hallstrom poderia render um filme melhor.

    Scott Wolf foi uma aposta que não deu certo. Na época ele era famoso pela série "Party of Five", mas jamais demonstrou talento, seu trunfo era mesmo lembrar Tom Cruise na aparência.

    Abraço

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