domingo, 21 de dezembro de 2014

TERRA FRIA (Nikki Caro/2005)


Por que alguns homens odeiam tanto as mulheres?

Os trogloditas deste filme responderiam que elas tomavam vagas de trabalho na mineração. Mesmo que alguém porventura se solidarize com tal justificativa (como se um gênero tivesse direito exclusivo a determinada ocupação), é sensato questionar se a intensidade do ódio sexista pode ser resumida a mero ressentimento. O desrespeito exibido em Terra Fria tem raízes mais profundas.

O tópico renderia um longa provocativo caso não empregasse a mofada cartilha dos caça-Oscar “inspiradores” que tratam de superação, na enésima variante da batalha de Davi contra Golias. Ingredientes: moça sofrida, porém corajosa, supera obstáculos, triunfa sozinha, moraliza um sistema corrupto, pune uma instituição injusta, enquanto lida com dificuldades pessoais.

Já vimos a fórmula, antes e depois, em Norma Rae (1979), Silkwood (1983), Erin Brockovich (2000), A Condenação (2009). Preparem-se para os seguintes lugares-comuns: marido violento, filhos incompreensivos, relutância das companheiras, maniqueísmo na distinção entre mocinhos inocentes e bandidos malvados, doença da amiga, censura dos pais, reviravolta no caso judicial, advogado relutante etc.

Caminho percorrido: batido. Modo de filmá-lo: convencional. Lições aprendidas: familiares. Emoções suscitadas: nenhuma. Resta a desconfiança de que a versão em película serve de adendo supérfluo a uma reportagem jornalística de complexidade incomparável. O programa merece termos qualificadores igualmente desgastados: “bem feito”, “competente”, “redondo”, “passável”. [Info] ★★★

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