segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

OLIVER TWIST (Roman Polanski/2005)


Ao contrário do musical de 1968, Roman Polanski vê em Oliver um garoto de iniciativa e personalidade, não um sofrido peão nas garras de Artful Dodger e Fagin. Identificáveis inocência, medo, solidão e, oportunamente, gratidão no semblante do órfão – palmas para o ator mirim que o interpreta. A reconstituição de época segue o padrão estabelecido em Tess e O Pianista: cenários sóbrios e fotografia naturalista evitam o fantasioso, abdicando da estilização favorecida por Hollywood.

Um elemento extrínseco merece consideração: a que ponto as agruras do protagonista refletem as privações que o diretor suportou na infância, durante a II Guerra, enquanto lutava para sobreviver, à míngua, caçado por nazistas na área rural polonesa? Em sua dura história sobre uma criança lidando com a falta de amor, Oliver Twist evita o acúmulo forçado de tragédias ao sugerir que a situação pode ser revertida por pessoas caridosas. [Info] ★★★★

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