quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O VINGADOR DO FUTURO (Len Wiseman/2012)


Total Recall aborda os mecanismos da experiência cinematográfica. O herói deseja ser implantado com memórias excitantes de aventuras que nunca viveu para espantar o marasmo do cotidiano insatisfatório. Ilusão que alimenta a alma. Ora, guardadas as devidas proporções, há um paralelo com o ato de assistir a um filme, que entrará no arquivo cerebral de lembranças, sensações, emoções.

Rimas visuais com ficções científicas modernas abundam, apesar da fonte inspiradora do roteiro (conto de Philip K. Dick) predatar as produções homenageadas. O desenho de produção e os efeitos especiais encorajam associações a Minority Report (a perseguição automobilística; a tecnologia futurista touch screen), Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones (o exército policial robótico), A Origem (malabarismos em gravidade zero; a confusão entre sonho/realidade), Contra o Tempo (o protagonista que se enxerga com outra face); Star Trek (os flares abramsianos). Plágio? Homenagem? Coincidência? O que importa é a contextualização engatilhada pela lembrança de parentes admiráveis do gênero.

Colin Farrel interpreta um homem cujo passado esquecido pode ser menos lisonjeiro do que ele gostaria. A certa altura, ouve que precisa se definir tendo por base o presente. Igual a esta portentosa aventura, distinta o bastante a ponto de merecer sair da sombra projetada pela versão de 1990. [Info] ★★★★

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