quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O NEVOEIRO (Frank Darabont/2007)


Somente com uma câmera nos ombros, na hipótese de algum castigo de proporções bíblicas se abater sobre a humanidade, será obtida uma representação tão desesperadora do fim. O soco no estômago é aplicado com tamanha precisão que o fracasso nas bilheterias americanas torna-se óbvio. O Nevoeiro estuda a condição humana diante do medo. Sustos fáceis e efeitos baratos andam de mãos dadas com sequências chocantes de puro desespero em que cada traço de racionalidade e organização social é solapado pelo instinto de sobrevivência.

O diretor poderia ter optado pelo comedimento em vez da música inapropriada e do slow motion interminável que deixam o ato final a um passo da autoparódia. Imperfeições à parte, as imagens de Darabont – claustrofóbicas, enevoadas, onde a ameaça de uma morte horrenda espreita cada canto – e os devaneios de fanatismo religioso proferidos por Marcia Gay Harden ficarão impressos a ferro e fogo na memória. [Info] ★★★★★

Um comentário:

  1. Filmaço, com um dos finais mais cruéis da história do cinema.

    Admiro a filmografia de Darabont, considero que ele ainda tem o reconhecimento merecido.

    Abraço

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