sábado, 27 de dezembro de 2014

O JARDINEIRO FIEL (Fernando Meirelles/2005)

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Ao contrário da mirabolante franquia James Bond, a história de John Le Carré une romance, conspiração industrial, geopolítica e denúncia social – corporação farmacêutica faz de africanos paupérrimos (“quem se interessa por eles?”) cobaias para testes ilegais de drogas rentáveis.

Servindo-se de imagens dominadas por cores quentes, encadeadas não-linearmente, Meirelles denuncia genocídios maquiados cuja motivação é a ganância. Convida-nos a refletir se vale a pena cuidar de jardins alheios como obrigação moral, em prol dos esmagados nas engrenagens da máquina de imprimir dinheiro que move o sistema ecônomico.

Há também a love story em que a consciência humanitária da ativista Tessa (Rachel Weisz, cheia de garra) abre os olhos indiferentes do diplomata britânico (Ralph Fiennes, discreto).

Alternando ternura (intimidade do casal), urgência (investigação nas favelas) e frieza (interesses empresariais), O Jardineiro Fiel fica gravado na memória. [Info] ★★★★

2 comentários:

  1. belo texto, caro gustavo.
    me motivou a rever este filme. lembro-me de ter assistido no cinema e de tê-lo recebido com certa frieza. acho que agora, 10 depois, a experiência será diferente para mim.

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