sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

NINE (Rob Marshall/2009)


Imagine uma releitura musical de Fellini 8 1/2 inspirada pela delicada sensibilidade de mestres da sofisticação estilística do naipe de Tony Scott e Michael Bay. A ideia talvez fizesse sentido no papel. Na prática, é uma bagunça inescrutável, inclusive nas cenas de canto e dança que presume-se, deveriam ser o chamariz do diretor-coreógrafo de Chicago. Pode ser que o frenesi da montagem e o delirium tremens da câmera, propositais, busquem espelhar o estado psicológico do protagonista, um cineasta italiano bon vivant em crise de bloqueio criativo, incapaz de se concentrar às vésperas de iniciar uma nova produção.

Além da abordagem questionável, outro erro de julgamento interfere na apreciação: o roteiro coescrito por Anthony Minghella mal introduz Guido Contini e já presume que você deve se importar com os “problemas” dele. E daí? Quem é o cara? Que tem de tão especial? O ar perdido de Daniel Day-Lewis, provando não ser infalível, não ajuda.

Celebração involuntária da superficialidade, deixa escapar uma faísca de vida somente quando a luminosa Marion Cotillard expõe feridas do coração no papel da esposa traída. [Info] ★★

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