terça-feira, 2 de dezembro de 2014

LINCOLN (Steven Spielberg/2012)


Solene, Lincoln investiga o funcionamento dos bastidores da política em tempo de guerra, transcendendo o rótulo de mera biografia. O jogo de interesses, o comprometimento ético e a forja de alianças adquirem importância equivalente à do contexto familiar no qual o roteiro loquaz de Tony Kushner insere Abraham Lincoln. Trata de como o debate civilizado entre representantes do povo carrega o poder transformador de elevar ideais abstratos de justiça (igualdade, liberdade) ao status de mandamento constitucional num Estado Democrático de Direito. Na balança, o término imediato da Guerra da Secessão e a abolição da escravatura negreira.

Ocupa na filmografia de Spielberg a distinção de obra mais dependente da força das palavras (a argumentação intelectualmente penetrante de Lincoln e Thaddeus Stevens rende momentos de oratória acachapante), proferidas com convicção pelo elenco numeroso (e brilhante, como provam Daniel Day-Lewis, Sally Field e Tommy Lee Jones).

Quem espera um repeteco da emotividade transbordante dos dramas anteriores do diretor ficará surpreso – positiva ou negativamente, dependendo das preferências de cada um. [Info] ★★★★

2 comentários:

  1. O interessante é que o filme desmistifica um pouco o personagem, mostrando que Lincoln tomou atitudes muita parecidas com as jogadas políticas atuais para conseguir que a Lei da Abolição fosse aprovada. Algo como "o fim justifica os meios".

    O filme é interessante pela história, mas não chega a empolgar.

    Abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente. Por isso acusações de endeusamento e hagiografia me irritam quando detratores comentam esse filme.

      Excluir