segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

HABEMUS PAPAM (Nanni Moretti/2011)


Sereno e bem-humorado, o filme vislumbrado instantes em que o Papa recém-eleito (Michel Piccoli) mostra-se incapaz de conter o pânico ante a responsabilidade com a qual se defronta.

Nanni Moretti equilibra duas frentes: uma empática comédia de erros (a atabalhoada dinâmica dos cardeais confinados no interior da Basílica de São Pedro) e o drama intimista (a súbita crise de confiança a perturbar o senso de dever do Papa fugitivo).

Os gritos de desespero do protagonista e o embaraço que acompanha sua hesitação – refletidos nos semblantes chocados dos papáveis derrotados e na decepção coletiva dos fiéis católicos aglomerados na praça de São Pedro – ficam gravados com mais força na memória do que as amenidades cômicas encarregadas de de humanizar os coadjuvantes (figuras supérfluas à parte, como o psicólogo narcisista interpretado por Moretti).

Adentrando as muralhas da Cidade do Vaticano, especulando sobre as fragilidades de líderes espirituais que guiam a vida espiritual de bilhões de crentes, Moretti traça uma original jornada de autoconhecimento às avessas, centrada num senhor de idade cujo isolamento do cotidiano popular o fez esquecer da própria autoridade. [Info] ★★★★

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