quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

DJANGO LIVRE (Quentin Tarantino/2012)


O interessante em Django Livre é seu desdém a pretensões de nobreza. Para Tarantino, o exagero, o humor e a provocação proporcionam visceralidade, espontaneidade e, por que não, honestidade. O temperamento pop do cineasta tem efeito amplificado por estar inserido numa cultura na qual impera o politicamente correto que regula os limites de uma indústria cinematográfica predisposta a evitar riscos.

Logo, condiz à proposta inserir comicidade na aparição de um grupo proto-Ku Klux Klan, inflamar a indignação com um caricato serviçal negro que despeja preconceito contra outros escravizados do seu grupo étnico, pintar flores brancas e redecorar paredes com jatos de sangue a voar pelos ares. O sofrimento do escravos ocupa cenas relativamente breves, porém incisivas o suficiente a ponto de quase chocar – castigos corporais, desmembramento, lutas até a morte, separações forçadas, tormento psicológico.

O diretor ouviu acusações de irresponsabilidade por mesclar entretenimento escapista e o vergonhoso legado histórico de uma época nem tão distante, amoldando-o às convenções do faroeste. Puritanos enxergam heresia em interpretações não-acadêmicas de acontecimentos “intocáveis”. Pedir a cabeça de Tarantino só faria sentido se a obra carecesse de méritos artísticos, insensível à tragédia alheia. [Info] ★★★★★

Um comentário:

  1. um filme que apenas o tarantino poderia fazer! quanto mais vezes assisto, mais me encanta. na primeira não me empolguei tanto, hoje sou fã do filme.

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