quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

DEPOIS DA TERRA (M. Night Shyamalan/2013)


O problema de Shyamalan no cargo de operário-padrão fazedor de blockbusters se resume a um aspecto específico: a inadequação de tom, abrangendo o elenco (solene, robótico) e o relato (de sisudez incompatível com o enredo inexpressivo).

O produto final acaba esvaziado de energia. O visual indistinto de outras aventuras pós-apocalípticas, dominado pela coloração cinzento-amarronzada, tampouco encoraja o ânimo. O roteiro, estruturado aos moldes de um video game no qual se deve avançar de um ponto a outro num tempo predeterminado, vencendo obstáculos e restaurando a energia do herói, desperdiça vigor narrativo bifurcando-se entre os percalços do aprendiz de guerreiro xiliquento de Jaden Smith e as laboriosas lições de sobrevivência do pai-patrão sorumbático encarnado por Will Smith.

Depois da Terra não insulta a inteligência, nem chega a aborrecer. É um produto industrial anônimo, de consumo indolor, planejado para estender o domínio da família Smith nas bilheterias norte-americanas.

Para adeptos da ficção científica, a jornada terá algum interesse. Já aos fãs do cineasta, talvez represente a última gota de paciência antes de abandonar a esperança de reencontrar o individualismo que o tornou um fenômeno no final dos anos 90. [Info] ★★

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