segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

AS AVENTURAS DE PI (Ang Lee/2012)


Quem teme um sermão religioso proselitista deve abandonar a desconfiança e arriscar uma sessão. Não se arrependerá. Basta tolerar as mornas recordações de infância e a soporífera narração em off na parte inicial, antes do naufrágio.

Fulano extrairá do filme uma ode à resiliência espiritual de quem cultiva a crença num ente superior e o sentido que ela dá à vida. Já para sicrano, o sentido da deslumbrante e tormentosa jornada de sobrevivência do personagem-título abrirá uma linha exegética alternativa, relativa ao poder curativo da reinterpretação fantasiosa de eventos traumatizantes por meio do ato de contar histórias. O elemento heroico é interiorizado: a imaginação humana.

Pi estabelece sutil parentesco temático com A Dama na Água – ironicamente dirigido por Shyamalan, um dos primeiros cotados a adaptar o romance de Yann Martel – e O Homem que Matou o Facínora. Ao contrário do western fordiano, porém, o falseamento embelezador dos fatos não prevalece por a lenda ganhar maior notoriedade do que a verdade. A justificativa da mitificação procede da viabilidade de tornar construtivo o que se apresenta originariamente insuportável.

Ang Lee agradar a gente de qualquer (e nenhum) credo por iluminar a opção de escolher em que acreditar. [Info] ★★★★

2 comentários:

  1. Filmaço! Une o apelo popular à inteligência, coisa rara no cinema...

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  2. É um belíssimo filme, com uma trama original e ótima direção Ang Lee.

    Abraço

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